A curiosa tradução dos nomes próprios

segunda-feira, março 26th, 2018

Quem nunca se questionou sobre os motivos dos nomes variarem de língua para língua? E, se você estudou alguma língua em algum momento da sua vida, você deve saber que uma das primeiras regras que aprendemos é que “nome próprio não se traduz” (mas em alguns casos pode, como explicamos no nosso texto sobre a tradução de O Senhor dos Anéis). A teoria diz isso, mas no decorrer da história, não foi bem o que aconteceu!

Como bem sabemos, a língua é além de uma ferramenta de comunicação, um meio de influência, de conquista, de ensinar … E um dos casos mais famosos que conhecemos sobre como a língua espalhou ideias é a Bíblia. Como seria possível que nomes vindos do hebreu virassem, por exemplo, João, Pedro, Maria, e tantos outros? Pois é aí que a força das palavras entra em cena: normalmente, temos maior tendência a aceitar e internalizar aquilo que entendemos com facilidade, termos aos quais estamos familiarizados e que conseguimos pronunciar. É por isso que na literatura, vários nomes passam por esse processo de adaptação que, apesar de não ser bem visto sempre, ajuda a que nos aproximemos do texto e a gerar uma familiaridade.

Letras em hebreu

Letras em hebreu

Segundo o site Behind the name, um exemplo simples é o nome João. Ele vem do hebreu Yaweh (יוֹחָנָ), que transformou-se em Ιωαννης ou Ioannes em grego, e Iohannes em latim Daí, vieram Jehan em francês antigo, Jean em francês moderno e a partir daí surgiram todas as variantes, como John, João, Juan, etc!

Historicamente, há também nomes de países que mudam internacionalmente. É o caso da Finlândia (Suomi), Japão (Nihon), Alemanha (Deutschland), entre outros. Apesar de não haverem explicações claras e exatas, muitas teorias afirmam que países possuem nomes próprios recebidos historicamente ou de outras línguas, e que países vizinhos dão nomes mais apropriados ou que condizem com o contexto da relação entre ambos.

Podemos perceber esse fenômeno na tradução de Estados Unidos em finlandês (Yhdysvallat), onde yhdys significa unificações e vallat significa poderes e países. Ou seja, a palavra é a mesma, só que traduzido ao idioma local (da mesma forma de United States e Estados Unidos, em português).

Outro caso famoso “Nihon” e “Japan”. Mesmo que não pareça, as duas são exatamente a mesma palavra, que sofreu alterações de som e escrita ao longo de seus 1500 anos de história.

Seja como for, os nomes próprios e de países nos dão uma noção de pertencimento e propriedade, que é muito importante no nosso contexto social. O valor da língua e da forma como nos identificamos e nos mostramos para o mundo é inegável e por isso é tão importante que a tradução valorize os contextos culturais e históricos da língua com a qual se está trabalhando. Considere sempre isso na hora de escolher com quem traduzir! 😉


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