Tradução astronômica!

sexta-feira, março 24th, 2017

O ano de 2017 é um ano bem promissor para aqueles que gostam de fenômenos astronômicos devido às várias chuvas de meteoros que irão ocorrer, todas visíveis e com boas quantidades de meteoros. Cada uma dessas chuvas é descrita por um nome em latim, relacionado à constelação em que ela se encontra. Você já se questionou sobre o nome das estrelas? Porque esses nomes estranhos, e de onde surgiram todas as lendas que as envolvem?

Os primeiros registros que se têm sobre a classificação das estrelas remetem à Grécia antiga. Aparentemente, a primeira pessoa a dar nome às estrelas foi Hiparco, dois séculos antes de cristo. Ele classificou as estrelas pelo seu brilho. Nessa época, já existiam também denominações para as constelações, mas com a chegada dos romanos à Grécia, todos esses nomes forma traduzidos para o latim por Ptolomeu. Um exemplo visível são os planetas do sistema solar: Afrodite, deusa do amor, passou a chamar-se Vênus (deusa do amor romana). Da mesma forma, Zeus passou a chamar-se Júpiter, que era o grande deus romano.

Porém, no século V depois de cristo, o império romano caiu após a invasão dos bárbaros Hérulos, que não valorizavam o estudo do céu. Foi nesse momento que o latim se tornou uma língua morta, que só foi redescoberta vários séculos depois, na época da Renascença. Nesse meio tempo, quem assumiu os estudos do céu foram os árabes. E é justamente por isso que muitas das maiores estrelas visíveis a olho nu têm nomes árabes: Pollux, Castor, Aldebarã e Sirius são exemplos.

Nessa grande mistura idiomática, obviamente, algumas coisas se perderam no caminho. É o caso de Betelgeuse, a supergigante vermelha da constelação de Orion: Originalmente, seu nome árabe era yad al-jawzā (يد الجوزا, que significa “a mão do guerreiro do centro”, porém, durante a idade média, alguém traduziu erroneamente para o latim o “y” do nome, como sendo um “b”. Posteriormente, durante o Renascimento, um linguista muito inventivo, tentou derivar esse nome corrompido e simplesmente decidiu que originalmente a grafia do nome era Bait al-Jauza. Para surpresa de todos (os árabes inclusive), o linguista declarou que “Bait” significava braço em árabe e corrigiu a grafia para Betelgeuse. E foi assim que o termo que conhecemos hoje nasceu. Para que Betelgeuse tivesse o sentido do “braço do centro”, o original deveria ser ابط Ibţ (al-Jauza), mas agora já é tarde demais.

Não é a primeira vez que vemos os nomes dos Astros sendo corrompidos, então, como tradutora, o estudo das estrelas e seus nomes, é algo profundamente interessante e curioso. Aproveite este ano para tentar também olhar para o céu e descobrir as maravilhas que ele oferece!


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