Surdez e acessibilidade

sexta-feira, setembro 25th, 2020

No dia 26 de Setembro, comemora-se no Brasil o Dia Nacional do Surdo já que nesta data, no ano 1857, foi criada a primeira escola de surdos do país. Esta data celebra a comunidade ao mesmo tempo que procura informar e trazer destaque para a importância da inclusão, sendo algumas das principais pautas a educação de pessoas surdas e a criação de escolas bilíngues para o ensino de LIBRAS.

Nos últimos anos, foi perceptível o aumento da utilização de legendas em vídeos das mídias sociais, seja Youtube, Instagram ou Facebook, com a justificativa de que isso permitia uma maior acessibilidade para pessoas com deficiência… Mas será que isso é o suficiente? Segundo o site Hand Talk, cerca de 80% dos surdos do mundo são analfabetos nas línguas escritas, portanto, apenas acrescentar legenda nos vídeos, não faz com que eles sejam completamente acessíveis.

Ainda segundo o site, o recurso é interessante para pessoas que já sabiam falar o português quando ficaram surdas e funciona relativamente bem para esse grupo, porém, para aqueles que já nasceram com surdez, ou que não foram alfabetizados antes de ficar surdos, não adianta em nada. Para eles, sua língua materna é LIBRAS, e não o português. Desta forma, o melhor meio de permitir uma acessibilidade total para eles, seria por meio da interpretação de LIBRAS.

Segundo o IBGE, 2,2 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência auditiva séria e, apesar de não haver leis específicas relacionadas à acessibilidade em recursos audiovisuais, é nosso dever como sociedade prezar e permitir o acesso de todos aos conteúdos e promover a integração. Nesse sentido, cursos de ensino de LIBRAS em faculdades e até mesmo online estão cada vez mais acessíveis e procurar se informar e aprender a respeito já é um bom passo para a inclusão. Continuar legendando os conteúdos e cada vez mais acrescentar interpretação a eles também são boas maneiras de alcançar mais pessoas e inclui-las. E também, dentro de empresas e órgãos públicos, o acesso a interpretação de LIBRAS precisa deixar de ser um recurso “especial” para se tornar parte do dia-a-dia. A própria Hand talk fornece plug-ins e apps que interpretam sites em libras, facilitando as coisas de uma forma muito prática!

Desta forma, podemos aproveitar este dia para refletir: o que nós como pessoas com acesso ilimitado a conteúdos podemos fazer para facilitar esse acesso aos outros? Nossa comunidade atende essas necessidades e é inclusiva? Como podemos exigir uma maior atenção das nossas autoridades quanto a esse assunto? Colocar-se no lugar do outro é sempre importante, e agir em consequência também!


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