Sessões de aprendizado – Interpretação

sexta-feira, maio 29th, 2020

Se há algo que a quarentena está reinventando, é o acesso a materiais e aulas online. Grupos de estudo e palestras que antes poderiam ser inacessíveis, estão agora fáceis de achar e simples de realizar por meio dos programas de videoconferência como zoom ou google meetings. Aproveitando essa situação, esta semana assistimos uma palestra de uma universidade espanhola, que contava a experiência de quatro intérpretes, cada um de uma área distinta, e as dificuldades encontradas, junto com algumas curiosidades e comentários, que foram muito enriquecedores, na nossa opinião. Alguns dos destaques, que detalharemos a seguir, se relacionaram com questões que às vezes não percebemos que estão envolvidas no processo, como ética, estresse e impacto psicológico.

Dois dos intérpretes trabalhavam em áreas desafiadoras: tradução para serviços públicos e recepção de refugiados. As pessoas questionaram, principalmente, sobre como eles lidavam com a terminologia, nessas áreas que exigem tanto e, curiosamente, algo que nem sempre percebemos foi dito: como os médicos, advogados, autoridades e outros profissionais envolvidos entendem que não se trata de pessoas que dominam a área, eles adaptam a forma de falar, para torna-la acessível, tanto para o cliente quanto para o tradutor. O que dificulta este tipo de trabalho é algo muito mais simples: o estresse. Afinal, se lida com pessoas em situações de alta vulnerabilidade e o nervosismo pode fazer com que elas tenham dificuldades para se comunicar, expressar o que estão sentindo, entender o que está sendo dito para eles, etc. Portanto, nestas situações, apenas o conhecimento teórico não basta. Precisamos estar mentalmente estáveis e preparados para enfrentar situações difíceis.

Outro comentário que nos chamou muito a atenção foi em relação à ética e os tabus, na hora de aceitar trabalhos. Há sempre situações em que não sabemos com o que iremos nos deparar, mas, quando soubermos, é importante considerar: qual é meu limite? Eu vou conseguir trabalhar de forma tranquila e sem um impacto pessoal dentro de assuntos com os quais não concordo ou estão fora da minha crença? Eu poderia, por exemplo, traduzir uma negociação de venda de armas? Ou talvez uma cerimônia de alguma religião que não é a minha? Ou eu seria capaz de interpretar no meio de uma cirurgia, onde haverá sangue e talvez situações que envolvem muita tensão? Afinal de contas, todas essas questões podem afetar não só a qualidade do nosso trabalho, mas também ter um impacto no nosso psicológico. Por isso, precisamos definir de forma clara, o que vale ou não a pena para nós.

Finalmente, um aspecto que foi unanimemente destacado pelos profissionais foi estabelecer padrões e conversar com o cliente. Geralmente, quando alguém contrata um tradutor ou um intérprete, não está ciente dos processos envolvidos. Por exemplo, talvez a pessoa pode não saber que o intérprete precisa de uma cabine e de uma infraestrutura específica, ou que é importante que possamos ver o orador, etc. Seja claro e explique tudo. E estabeleça padrões! Questione o que é esperado de você, que tipo de linguagem você deve utilizar, se é necessário um tratamento mais formal ou informal, se é fundamental que saibamos de algum contexto específico, etc. Lembrando que estes esclarecimentos também são válidos para a tradução tradicional, escrita.

No geral, nos sentimos muito privilegiados de poder ter acesso a conteúdo tão enriquecedores, e trazer um pouco do nosso aprendizado para os leitores é extremamente satisfatório. Na Vernaculum, nos preocupamos em levar o processo de aprendizado continuado a sério, para entregar o melhor serviço!


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