Quadrinhos nacionais

sexta-feira, janeiro 29th, 2021

No ano de 1869, foi publicada no Brasil a primeira história em quadrinhos nacional, em um jornal local. As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, do cartunista Ângelo Agostini, tratava da vida de um provinciano que se muda para o Rio de Janeiro e começa a compreender e se chocar com a civilização na cidade. O quadrinho foi tão importante na literatura local, que em 1984 a data de sua publicação (30 de Janeiro) foi estabelecida como o Dia do Quadrinho Nacional.

Podemos citar uma grande quantidade de quadrinistas nacionais talentosos. As obras de Laerte e Ziraldo permeiam nosso dia-a-dia, seja nas mídias sociais, nos materiais didáticos escolares e nas revistas e jornais. Há também as obras que contam histórias complexas em grandes tomos, como é o caso de pessoas como Fabio Moon, Gabriel Bá e Marcello Quintanilha. Nosso foco hoje, porém, será em um dos autores que, provavelmente é o maior e mais conhecido no país, que fez a diferença na vida de muitas crianças (agora adultos) e continua fazendo: Mauricio de Sousa.

Obviamente, suas obras mais conhecidas são os quadrinhos da Turma da Mônica e Chico Bento, e suas obras estão disponíveis em mais de 120 países, em 50 idiomas diferentes. Segundo o artigo de Elisângela Liberatti e Michelle de Abreu Aio, porém, esses valores são limitados apenas à primeira obra. Chico Bento possui apenas três traduções publicadas na língua inglesa, e isso provavelmente se deve ao quão carregada a historinha está de características regionais e culturais, tanto no contexto geral quanto na língua.

Isso nos leva a pensar sobre como essas adaptações são feitas. Será que, no caso de histórias com conteúdo tão local e específico, é realmente possível traduzir? Se sim, de que forma? Que tipo de paralelismo poderia ser feito entre as línguas para entregar algo “parecido” ao original? Que sacrifícios devem ser feitos?

Um exemplo que nos ocorreu, foi a adaptação de Little Women, em português, no qual uma personagem sulista, no período da Regência Britânica, cuja forma de falar era menos padrão do que a das meninas, foi adaptada ao português com características de português caipira. É uma solução interessante, que entrega a ideia, mas não de maneira tão fiel. Só que há um diferencial: no caso do livro, não há o elemento visual, e na história em quadrinhos, sim.

Não é nossa intenção nos aprofundar no assunto (porém, recomendamos muito o artigo linkado) mas, novamente, surge o questionamento: como resolver esses desafios? Coisas assim provam que apenas saber uma língua não é o suficiente. Compreender a cultura, a intenção do texto e que é o público-alvo se torna crucial para simplesmente conseguir exprimir a ideia da obra, e apenas um tradutor treinado, profissional e experiente, conseguirá entregar resultados que atendem a esse nível de complexidade.


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