Olimpíadas Rio 2016: Uma lembrança sobre a saudade

quinta-feira, agosto 25th, 2016

E eis que neste domingo, depois de muitas polêmicas e casos de amor e ódio entre o povo e a celebração das Olimpíadas no Brasil, este ciclo chegou ao fim. O encerramento das Olimpíadas do Rio 2016 deixou todo o mundo maravilhado e mostrou que quando existe vontade, tudo pode realmente dar certo. E como deu certo! Enquanto assistíamos a transmissão na TV, não podíamos deixar de nos surpreender com as belezas que o evento ofereceu. Mas uma coisa em particular chamou a atenção do nossos olhos tradutórios, sempre atentos:

Não tenho saudades
Do que vivi
Porque tudo
Está aqui

 

Encorpado
Dentro de mim
Como um fígado
Um pâncreas
Um rim

 

Não tenho saudades
Do que vivi
(Vi, ouvi, sonhei, senti)
Pois já se tornou
O que sou

 

Não tenho saudades
Do que vivi
Tenho saudades do que viveram
Aqueles com quem convivi
Não do que vi, do que viram
Não do que ouvi, do que ouviram
Do que sonharam, sentiram
As pessoas que perdi

 

Este poema, recitado e criado por Arnaldo Antunes foi colocado na cerimônia para homenagear àqueles atletas que já se foram. Enquanto era recitado, várias palavras remetendo à saudade eram projetadas pelo estádio. Além de ser um momento muito icônico, nos colocou para refletir: Afinal, o mito diz que “saudade” é uma palavra que apenas pode ser encontrada na língua portuguesa, sendo muito difícil de traduzir. Intencionalmente ou não, realmente foi uma bela homenagem à língua, que é tão rica e tão própria ao mesmo tempo.

 

Como tradutoras, podemos confirmar que saudade é realmente algo brasileiro. Não no sentido de que apenas brasileiro sente, mas só a língua brasileira soube expressar com tanta clareza esse sentimento abstrato. Podemos confirmar também, que todos os termos projetados durante a apresentação estavam próximos, mas não eram exatamente aquilo. Realmente, a saudade é uma palavra incrível.

 

Ainda teremos o mês de setembro para viver o espírito Olímpico com as Paraolimpíadas e aproveitar mais um pouco dessa emoção que vivemos em agosto. Mas quando tudo acabar é exatamente o que a cerimônia de encerramento mostrou que sentiremos: muita saudade.

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Vernaculum - Todos Direitos Reservados 2019