Diferentes línguas, diferentes personalidades

sexta-feira, maio 5th, 2017

A lista de benefícios de falar mais de uma língua é longa e interessante: seja para facilitar as viagens pelo mundo, fazer amigos, negócios com outros países ou exercitar o cérebro, é sempre um ganho. Mas, adotar (ou criar) outra personalidade é algo que nunca pensei que poderia me acontecer antes de me tornar fluente na língua portuguesa. Pode parecer estranho para os leitores, mas sem dúvida há mudanças na minha personalidade quando altero entre os idiomas inglês e português.

Há algumas informações na internet – incluindo a controversa Sapir–Whorf hypothesis – para aqueles que se interessam por informações adicionais, mais científicas e específicas, além do que eu menciono aqui, sobre como pessoas bilíngues ou poliglotas percebem essa situação.

Claro que existem os céticos, mas depois que comecei a dominar razoavelmente o português, comecei a notar minhas duas personalidades e até mesmo sinto que elas têm aumentado à medida que vou me tornando mais fluente.

Quando estou falando português (seja no Brasil ou viajando), não tenho dúvidas de que o meu comportamento ao falar português é uma versão diferente, “abrasileirada”, do comportamento que tenho ao falar inglês. Sem querer generalizar, os Brasileiros são muito mais informais, sociáveis e menos conservadores. Tem maior facilidade para aproximar-se as pessoas (não é incomum conhecer muito sobre a vida de outra pessoa em uma conversa curta, acho em um ponto de ônibus ou supermercado, por exemplo) e menos preocupados com o espaço pessoal do que nós britânicos. Então, tornou-se fácil para mim reconhecer quando minha personalidade e comportamento é mais brasileiro do que britânico.

Não há regras estabelecidas ou evidência empírica sobre o quanto as pessoas que falam outras línguas são afetadas por este fenômeno, porém, do me ponto de vista, é impossível não ser afetados pela cultura com a qual convivo há dez anos – particularmente sendo ela tão rica e vibrante como a brasileira – e que um pouco dela entrou em mim por meio da língua (ou de outras formas, também). Seria, então, a cultura ao invés da linguagem, que me deu esta personalidade diferente? É algo a se pensar …

É difícil apontar exatamente onde me sinto diferente falando em português. Acredito que esteja relacionado aos sentimentos intuitivos, que são difíceis de expressar com palavras. Seja qual for o raciocínio por trás disso, é divertido analisar este aspecto do aprendizado de uma língua. Quando olho para mim mesma (falando português), definitivamente me divirto ao ver que eu assumo uma personalidade um pouquinho diferente.

Para quem quer ler mais um pouco sobre esse assunto, saiu um artigo bem interessante no jorna The Independant do Reino Unido sobre as experiências diferentes que poliglotas têm com horário:

http://www.independent.co.uk/life-style/bilingual-speakers-time-different-people-one-language-study-swedish-spanish-a7715146.html


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