Jargões e estrangeirismos

segunda-feira, junho 17th, 2019

Já fez o backup dos seus arquivos? Qual é a deadline desse projeto? Hoje de manhã eu fiz o proofreading desse texto … Coisas que poderíamos ouvir e ver em qualquer empresa ou até mesmo em casa. O estrangeirismo é um fenômeno comum a todas as línguas e, com a globalização, vem adquirindo cada vez mais força. Nesse mesmo sentido, outro movimento que é cada vez mais visto no mundo empresarial é a utilização de jargões. O jargão nada mais é do que uma terminologia técnica associada a um certo grupo social ou de uma profissão específica.

Sobre o assunto, destacamos dois conteúdos interessantíssimos: este artigo, que conta um pouco sobre como línguas asiáticas absorveram os estrangeirismos para si e este TED Talk que fala sobre a experiência de uma pessoa no mundo empresarial, permeado por jargões. O podem nos ensinar? Como eles afetam nosso trabalho como tradutores?

Primeiramente, utilizar estrangeirismos ou termos técnicos em uma conversa informal pode ser uma prova de vocabulário limitado: claro, adotar novos termos nos ajuda a expandir nosso idioma, mas esse processo precisa ter um critério … e precisamos ter certeza de que o estrangeirismo que estamos usando é realmente necessário. Para que falar deadline se existe prazo? Para que falar sale se existe oferta? E, é claro, se eventualmente o que queremos dizer será traduzido, esses termos irão ajudar a comunicar nossa mensagem ou apenas dificultarão o trabalho do tradutor? É provável que ocorra a segunda opção. Os tradutores possuem uma certa “licença” para melhorar textos com vocabulário limitado ou estrangeirismos que não fazem sentindo, mas isso gera bastantes complicações no processo!

Outra coisa a se considerar é que talvez estejamos tentando falar bonito ou usar uma terminologia mais técnica porque não temos uma clareza total do que queremos dizer. Como podemos expressar nossas ideias de forma clara? Afinal de contas, o propósito da língua é a comunicação. Se o público que nos ouve não nos entende ou se nós mesmos não estamos conseguindo expressar o que realmente desejamos, não estamos respeitando a função da nossa língua e a comunicação não está realmente ocorrendo. Esse, inclusive, é um problema comum na área de interpretação: oradores que começam suas falas sem saber muito bem onde querem chegar. Ouvindo na língua original, talvez possa não ser tão perceptível, mas quando se traduz simultaneamente a fala, se ela carece de alguma estrutura ou não é concreta, será muito perceptível.

Talvez, eventualmente, podemos estar usando estes termos como forma de evitar repetições de palavras ou para incrementar o que queremos dizer. Isso é super importante e positivo! Mas há um porém: precisamos saber para quem estamos falando. Talvez nosso interlocutor não está familiarizado com o vocabulário específico que estamos usando ou com as palavras de outro idioma que estamos repetindo e, novamente, a comunicação não é feita de forma apropriada. E isso pode ter efeitos devastadores: se o outro não nos compreende, pode afetar a nossa imagem ou, pior ainda, a autoestima de quem nos ouve, sua capacidade de trabalhar e seu ânimo ou engajamento.

Dessa forma, vamos abraçar os estrangeirismos de jargões, mas da forma correta! Sabemos bem o que queremos dizer? Temos, na nossa mente, uma lista clara do que queremos expresar? O público para o qual estamos falando é do nosso mesmo ambiente de trabalho? É composto por pessoas mais novas, mais velhas, de outra região? … Alinhadas todas essas questões, um mundo de possibilidades linguísticas se abre: seja feliz no uso da língua e lembre-se: de nada serve nosso idioma, se ele não consegue comunicar. É fundamental poder expressar sua mensagem de forma clara na sua própria língua antes de querer que ela seja compartilhada em outras línguas. Textos claros ou falas estruturadas garantem não só que sua imagem positiva se mantenha, mas também que sua tradução seja possível! Foque-se na sua fala no agora, para poder chegar mais longe graças à língua!


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