Caso de estudo – Facebook e a importância da tradução

sexta-feira, novembro 5th, 2021

O Facebook, uma das redes sociais mais populares dos últimos anos, encontrou-se recentemente no meio de uma polêmica por denúncias de ex-funcionários que, segundo o Washington Post, afirmam que a empresa valoriza mais os lucros do que seus compromissos no combate aos discursos de ódio na plataforma. Pouco tempo depois, a empresa anunciou está mudando seu nome e passando por um processo de reinvenção de marca. Essas polêmicas demonstram uma dificuldade de haver uma compreensão cultural abrangente (afinal, a rede está em todos os lugares do mundo e mexe com pessoas de todas as culturas) e reforçam, como sempre, a importância da tradução, mas não uma tradução qualquer: uma tradução que compreenda e englobe a língua e sua cultura.

Em 2020, uma notícia que virou “meme” foi a tradução automática do nome do presidente chinês Xi Jiping feito pela plataforma, que tornou o nome uma obscenidade gerando polêmica, revolta e dúvidas sobre não apenas a qualidade das traduções automáticas em si, mas sobre a falta de um controle de qualidade. Apesar de ter podido gerar um problema diplomático, na época a questão foi solucionada e não se falou mais sobre o assunto.

Posteriormente, em junho deste ano, ocorreu algo similar, em que uma tradução automática do tailandês para o inglês gerou resultados derrogatórios e ofensivos, que culminaram na remoção da tradução automática da plataforma nessa língua, novamente abrindo o questionamento sobre a qualidade das traduções, e começando a revelar um problema bem mais sistêmico.

Finalmente, a gota d’agua ocorreu no final do mês passado, quando a plataforma removeu uma hashtag em língua árabe, que fazia referência a uma mesquita, porque o algoritmo o confundiu com o nome de um grupo armado. Ela foi posteriormente reestabelecida, mas revelou de maneira clara de que realmente falta preparo por parte do time de professionais para entregar um conteúdo não só linguisticamente apropriado, mas seguro para seus usuários. Afinal, enquanto palavras-chaves são bloqueadas por motivos errados, discursos de ódio não acabam recebendo esse filtro … e isso ocorre porque não há suficientes moderadores em todas as línguas, que possam filtrar os conteúdos e entregar uma plataforma segura para seus usuários.

Isso revela como realmente o trabalho do tradutor, como pessoa, e não apenas ferramentas de tradução automática, é fundamental. Alguém que compreenda as nuances e os significados, por trás de apenas as palavras, é o ponto chave que pode diferenciar entre um banimento acidental e realmente uma filtragem criteriosa de qualidade e de conteúdo. E é isso que precisamos compreender, como clientes, mas também com tradutores: a tecnologia é muito boa, é fundamental, mas a ideia de que o tradutor será substituído não é realista, dentro das complexidades do nosso mundo atual. Como sempre dizemos, o tradutor não é apenas uma mera ponte entre duas línguas, mas um profissional treinado para compreender as diferenças culturais, as peculiaridades de um país, e tomar as decisões mais corretas em questão idiomática, enquanto permite que dois lados (no caso, cliente e empresa) possam se entender e ajudar um ao outro.


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