Acordo Ortográfico em 2016

terça-feira, janeiro 5th, 2016

Lá por 2009, para terror dos vestibulandos e amantes da boa ortografia, foi lançado um novo acordo ortográfico. A previsão era de que o acordo começasse a valer no ano de 2013, mas foi adiado e no dia 1º de Janeiro de 2016 ele entrou em vigor (e desta vez é pra valer!).

Apesar de ser um grande transtorno e exigir de nós bastante paciência para a adaptação, não podemos reclamar de que não tivemos tempo para nos adaptar: Na verdade, o acordo foi assinado em 1990 com os outros Estados-Membros (ou seria agora Estados Membros?) da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), com o intuito de padronizar as regras ortográficas, facilitando assim o intercâmbio cultural e diminuir as diferenças de vocabulário entre os países. Em 2008 o acordo foi ratificado e tornou-se oficial sem obrigatoriedade em 2009. A previsão era que a obrigatoriedade chegasse em 2013, mas após várias polêmicas e críticas, o governo decidiu adiar para o ano de 2016.

Apenas mais dois países falantes de português entraram também nessa onda: Portugal e Cabo Verde. Todos os outros países lusófonos ainda não aplicam de maneira oficial ou obrigatória as regras do Novo Acordo.

Mas, afinal de contas … O que mudou? Anote as regras abaixo para não fazer feio na próxima vez que você for escrever alguma coisa nas redes sociais, publicar um livro ou simplesmente mandar um bilhete para alguém:

– Palavras que terminam em “ôo(s)” ou “êem” irão perder o acento: Vôos ficará voos e Lêem ficará leem.

– Vogal tônica do hiato formando um ditongo decrescente (boa sorte com essa!), irá perder o acento agudo. Por exemplo: Feiúra ou Bocaiúva agora são Feiura e Bocaiuva.

– Ditongos abertos “éi” e “ói”, em paroxítonas, irão perder o acento agudo. É o caso das palavras idéia, jóia ou Heróico, cuja grafia certa agora é ideia, joia e heroico.

– Algumas palavras homônimas (ou seja, que se escrevem igual mas tem significados diferentes) perderam seus acentos diferenciais. Os únicos que não se aplicam à regra são “poder”, “pôr”, “ter” e “vir” e seus compostos. Então, agora os termos pára, pêlo e pólo perdem seus acentos.

– O trema foi abolido, sendo nomes estrangeiros (Müller, Klüppel) a única exceção. Então, lingüiça passa a ser linguiça e freqüente agora é frequente.

– O hífen em palavras de conexão também é abolido. No caso de nomes de plantas ou animais, ele se mantêm. Portanto, ainda podemos dizer mico-leão-dourado, mas não dia-a-dia ou passo-a-passo (estes agora são dia a dia e passo a passo).

– Palavras derivadas com prefixos dissílabos terminados em vogal (essa também é complicada!) ainda têm hífen se a palavra seguinte começar por “H” ou “vogal igual” à última do prefixo. Por exemplo, microondas ganhou hífen (micro-ondas) e Infra-estrutura perdeu (infraestrutura).

– Se o segundo elemento das palavras com prefixos dissílabos terminados em vogal começar com “S” ou “R” a última letra deve ser duplicada. Por exemplo: auto-retrato agora é autorretrato e mini-saia tornou-se minissaia.

– Palavras derivadas com o prefixo “co-“ perderão o hífen. Se a primeira letra do segundo elemento começar com “r” ou “s”, dobra-se a letra. Por exemplo: co-fundador será cofundador e co-responsável será corresponsável.

– Palavras formadas com o advérbio “não”, perdem também o hífen e ficam separadas. Por exemplo: não-fumante e não-governamental agora tornaram-se não fumante e não governamental.

Agora que você já sabe quais são as novas regras, escreva sem medo e com ortografia perfeita seus objetivos para 2016! E caso ainda restar alguma dúvida, fique tranquilo! As mudanças já foram implementadas nos programas do pacote Office, como Word e Power Point … então, se você cometer algum deslize, o programa irá te corrigir e será como se nada tivesse acontecido!

A Vernaculum deseja um ótimo 2016 com muitos sonhos para cumprir, e ortografia perfeita!

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